Amburana – Mudas de Amburana

Amburana

Nome Cientifico da Amburana cearensis

(Freire Allemão)
Ticiane Rossi (trossi@esalq.usp.br)
Engenheira Florestal, Mestranda em Recursos Florestais na Esalq/USP
Atualizado em 16 de julho de 2008

Taxonomia

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae)
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae (Papilionoideae, Leguminosae)
Espécie: Amburana cearensis (Freire Allemão) A. C. Smith, Tropical Woods, 62:30, 1940.
Sinonímia botânica: Amburana claudii Schwacke & Taubert; Torresea cearensis Freire Allemão
Nomes comuns: cerejeita, ambaurana, amburana, amburana-de-cheiro, angelim, baru, cabocla e imburana-cheirosa, cerejeira-rajada, cumaré, cumaru, cumaru-de-cheiro, imburana-brava, cumaru-do-ceará, cumbaru, cumbaru-das-caatingas, emburana, imburana, imburana-de-cheiro, louro-ingá, umburana, umburana-lisa, umburana-macho, umburana-de-cheiro,umburana-vermelha, ishpingo, palo, trébol, roble criollo e tumi.


Fonte: http://www.ufersa.edu.br

Descrição

Amburana cearensis é uma árvore árvore pequena na Caatinga, de 4 a 10 m e de 20 m na mata pluvial, caducifólia. A casca é vermelho-pardacenta, lisa suberosa e fina, com 7 mm de espessura, descamando em lâminas delgadas. A ramificação é dicotômica. Copa achatada e curta na Caatinga e alta, larga e umbeliforme na floresta.

As folhas são compostas de 10 a 15 cm de comprimento e 11 a 15 folíolos de 1 a 2 cm de comprimento. Os folíolos são ovados, emarginados, mebranáceos, gabros, com nervação impressa.

As flores são quase sésseis, amarelo-pardacentas, perfumadas e se reúnem em medindo de 3 a 6 cm e esses em panículas de 6 a 10 cm, as quais se inserem em ramos desfolhados. O fruto é um legume preto e estriado por fora, amarelo e liso por dentro, delgado, duro, monospermo, medindo de 7 a 9 cm de comprimento por 2 de largura.

A semente é exalbuminosa de formato elíptico, oblongo e ovóide. O tegumento apresenta textura lenhosa, sendo a testa de coloração marmoreada, rugosa e opaca. O comprimento varia de 13 mm a 18 mm e a largura, de 8 mm a 12 mm. Possui ala, o que indica que sua dispersão é anemocórica.


Fonte: http://fm2.fieldmuseum.org

Aspectos reprodutivos e Fenologia

É planta hermafrodita, cuja polinização é realizada principalmente por abelhas. A dispersão, anemocórica, ou seja, pelo vento, visto que suas sementes são dotadas de alas, forma muito comum de dispersão de sementes em matas secas (germinação). A floração é de abril a junho e frutifica nos meses de julho a setembro.

Aspectos ecológicos

É classificada como pioneira, mas é tolerante à sombra em algumas situações de regeneração sob dossel de mata. É uma planta decídua, heliófita, seletiva xerófita, características de afloramentos calcários e terrenos secos em matas decíduas.

A espécie apresenta ampla distribuição na América do Sul, sendo característica de Floresta Estacional. Também ocorre em Floresta Estacional Semidecidual, restrita aos afloramentos rochosos ou calcáreos, em Floresta Estacional Decidual Submontana, em Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) até a Caatinga/Mata Seca.


Fonte: http://fm2.fieldmuseum.org

A sua ocorrência no Cerrado e no Pantanal restringe-se às manchas de florestas estacionais de afloramento calcáreo e suas zonas de transição com o Cerrado em áreas bem drenadas e de moderada a elevada fertilidade.

No Sudeste da Amazônia (Rondônia, Acre e Amazonas) ocorre a Amburara acreana, com características muito próximas a A. cearensis.

Área de ocorrência

Amburana cearensis pode ser observada em praticamente toda América do Sul (do Peru à Argentina). Na região semi-árida ocupa áreas consideráveis de todos os estados do Nordeste brasileiro e se estende até Minas Gerais, abrangendo cerca de um milhão de km² . Sua distribuição geográfica abrange as latitudes de 3º S (Ceará) a 25º S (Argentina), nas altitudes de 10 m a 1.500 m.

Clima e Solos

A precipitação média anual varia desde 440 mm a 2.000 mm, com chuvas distribuídas uniformemente a periódicas, com estação seca pronunciada de moderada a forte, com duração de até 9 meses. A temperatura média anual é de 19,5ºC a 27,6ºC, sendo raras as geadas (média de zero a duas). Os tipos climáticos em que a cerejeira ocorre naturalmente são: Semi-Árido (Bsh), tropical (Aw), subtropical de altitude (Cwa) e subtropical úmido (Cfa).

A cerejeira ocorre em solos de textura franco e argilo-arenosos e profundos na meia-encostas da Caatinga e em afloramentos calcários. A sua ocorrência no Cerrado e no Pantanal se dá em áreas cem drenadas e de moderada a elevada fertilidade. Em plantios, mostrou-se sensível à salinidade do solo.

Produtos e Utilizações

Madeira

É moderadamente pesada (0,6 g/cm³), cerne bege amarelado ou bege rosado, uniforme, excepcionalmente apresenta alguns veios mais escuros, alburno muito pouco diferenciado do cerne, grã direita a irregular superfície irregular lustrosa e medianamente lisa ao tato, cheiro acentuado, peculiar, agradável e gosto levemente adocicado.

Utiliza-se a madeira, por apresentar retratibilidade baixa e resistência mecânica entre baixa e média, na confecção de móveis de luxo, folhas faqueadas decorativas, escultura, tanoaria, acabamento interno, lambris, balcões, tonéis etc.


Fonte: http://www.aguademeninos.com.br

A madeira possui durabilidade baixa em condições favoráveis ao apodrecimento e no ataque de cupins subterrâneos. A secagem deve ser cuidadosa, pois tende a empenar.

Outros Usos

A madeira da cerejeira é principal produto, no entanto é necessário avaliar que essa árvore apresenta a possibilidade de gerar diversos outros usos, que valorizam e agregam valor à árvore viva. Abaixo estão descritas as partes, os produtos e benefícios obtidos.

Casca e sementes: são tradicionalmente utilizadas no tratamento da asma, tosse e bronquite. Das cascas do caule já foram isoladas várias substâncias, incluindo cumarina, isocampferídio, fisetina, alfalona e amburosídio.

Flores: sua floração durante o período seco indica a importância da cerejeira como fonte de alimento para a entomofauna quando há pouca oferta de recurso, principalmente no caso da Caatinga.

Sementes: fornecem cerca de 23% de um óleo fixo constituído principalmente dos glicerídios dos ácidos: palmítico, linoléico, oléico e esteárico. Contêm ainda uma proteína inibidora que é capaz de inativar a tripsina e o fator de coagulação XII. A referida proteína constitui-se, por isso, numa ferramenta útil para o estudo da fase de contato da coagulação sanguínea. Nas sementes são encontrados também cumarina e 6-hidroxicumarina. Avaliou o efeito alelopático do extrato aquoso das sementes de cerejeira em alface, picão e carrapicho, como potencial herbicida natural. Houve presença de fitotoxicidade e, confirmada ação alelopatia promovida pelo extrato aquoso de sementes de cerejeira a partir de 0,78 mg/ml para a inibição da germinação das sementes e do desenvolvimento das plântulas. No caso do carrapicho, apenas a cumarina pura inibiu a germinação dessas sementes.

Extrativos da madeira: Tradicionalmente a madeira de cerejeira é utilizada para fornecer características sensoriais à cachaça, através de processo de enelhecimento da bebida em tonéis de cerejeira. Abreu-Lima et al. (2005) avaliou a adição dos extrativos retirados de madeiras na cachaça, entre elas, a cerejeira, nas caracteristicas sensoriais em comparação à cachaça envelhecida. Os resultados indicaram a possibilidade da utilização de extratos de madeira no aprimoramento do processo de envelhecimento da cachaça.

Árvore inteira: Pode ser utilizada com sucesso no paisagismo em geral, devido ao seu porte ornamental. Com base no seu desenvolvimento inicial, sugere-se a introdução desta espécie em estádios iniciais de recuperação de florestas estacionais degradadas.

Sementes e Produção de mudas

Os frutos devem ser colhidos direto da árvore, ou quando iniciarem queda espontânea e em seguida secar ao sol para facilitar a abertura e liberação das sementes.

A semente de cerejeira é ortodoxa, apresenta conteúdo de água menor que 10 % nas sementes. A semeadura pode ser feita em saquinhos individuais, ou canteiros contendo substrato organo arenoso e a germinação, hipógea, tem início 5 dias após a semeadura, ou seja,é uma espécie de germinação rápida.

O uso de técnicas de quebra de dormência não se enquadra nessa espécie e a taxa de germinação de 70 a 90 % de 3 a 5 dias sem tratamento. A longevidade das sementes de cerejeira é baixa, perdendo 50 % da viabilidade em 12 meses de armazenamento em câmaras secas e frias.

Um quilo de sementes pode gerar 1630 mudas. Uma árvore de caatinga produz em média 10 kg de sementes anualmente.

Engel e Poggiani (1990) sugerem que a espécie seja favorecida por níveis de sombra acima de 56%, pelo menos durante sua fase inicial de crescimento. Muitos autores, no entanto consideram que sombreamento das mudas em viveiro e em campo seja desnecessário, já que a espécie está adaptada em condições de pleno sol.

Silvicultura

A cerejeira é uma espécie heliófila e medianamente tolerante a baixas temperaturas. No entanto, segundo Engel e Poggiani (1990) em condições naturais a cerejeira apresenta melhores chances de regeneração sob a cobertura da mata, tolerando inclusive intensidades luminosas bastante reduzidas, em decorrência de um dossel fechado. A cerejeira demonstrou ser uma espécie tolerante à sombra pelo menos durante sua fase inicial de crescimento. É uma espécie que apresenta um bom potencial para plantio de enriquecimento em matas, já que responde favoravelmente ao sombreamento.

Desenvolve-se bem em plantios puros a pleno sol e em solos de boa fertilidade, no entanto apresenta forma ruim, ou seja, ramificação pesada, sem dominância apical. Não brota depois de cortado e é sensível à salinidade dos solos.

O desenvolvimento das plantas no campo é lento, não ultrapassando 1,5 m nos 2 primeiros anos. O incremento médio máximo registrado é de 2,0 m³ ha-1 ano-1, aos nove anos de idade, em Santa Helena, PR de acordo com a Embrapa Floresta.

Conservação de Recursos Genéticos

Amburana cearensis é uma espécie em risco de extinção no Brasil e no Paraguai. No Brasil, ela está sendo conservada ex situ pelo Cenargem/Embrapa e recomenda-se sua conservação in situ.

Bibliografias Consultadas

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